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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Minha Gata Branca


Todos os dias acordo de manhã, escovo meus dentes e preparo uma tigela de leite. Vou até a porta de casa e deixo a tigela ali. Espero alguns minutos até ela aparecer. É uma gata branca que eu venho namorando a algumas semanas. Seu pelo é macio mas eu nunca tive a oportunidade de tocá-lo. Apenas consigo dar um pouco de leite todas as manhãs. Seus olhos amarelados se destacam do branco do seu corpo e seu olhar é sedutor como o de uma garota provocadora.

Então ela vem até o leite. Os olhos se concentram em mim, como se eu fosse um predador e ela tivesse que estar preparada para qualquer movimento meu. Suas patas se movem com agilidade e rapidez, não parecem tocar o chão. Quando chega no leite ela bebe ele todo com sua pequena língua se movendo rapidamente. Enquanto bebe, ainda fixa o olhar em mim. Eu apenas a contemplo.

Após terminar de beber a tigela toda, ela me olha com um olhar que parece curioso. Não sei se é exatamente curiosidade... Seus olhos são difíceis de ler. Eu tento me aproximar mas ao menor impulso meu, ela se afasta. Enquanto vai embora ainda dá uma olhada para trás e eu fico ali na porta sentado. Será que um dia ela será minha? Será que um dia poderei tocá-la? Acariciar seu pelo macio? Por enquanto só o que posso fazer é namorá-la e lhe dar um pouco de leite de manhã.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Psicodelia Nos Ouvidos

Os passos seguem constantes
Ele é apenas um garoto
Um garoto que ainda acredita na felicidade
Ele está indo para a aula
Como qualquer garoto da sua idade
Mas ele não é como os outros garotos
No colégio lhe falavam isso
E ele sentia isso por si mesmo
Ele era um garoto que pensava
Tirava suas próprias conclusões
Não dependia da opinião dos outros

O garoto tinha descoberto o rock n’ roll
Ele tocava guitarra
E vinha tentando montar uma banda
Mas ele sabia que não era muito bom
O garoto estava com fones de ouvido
Onde escutava a guitarra do Jimi Hendrix
Se aproximava do colégio com aqueles barulhos estranhos no ouvido
Barulhos estranhos que ele tanto amava
Olhava para as outras pessoas
Elas não entenderiam

O garoto continua andando
Agora dentro do colégio
Ele começa a subir as escadas
Os sons de microfonia são completamente malucos
Ele sorri ao ouvi-los
Vai se aproximando da sala de aula
Ele parece viver em um mundo psicodélico
Não consegue ouvir nada do mundo real
Apenas barulhos estranhos que explodem nos seus ouvidos

Ao chegar na porta ele se depara com toda a classe
Seus colegas e a professora
Ele esta cansado daquela vida
O garoto abre a porta
Olha direto nos olhos da professora e mostra o dedo do meio
A professora fica horrorizada
O garoto sai correndo
Agora lagrimas escorrem pelo seu rosto
A música nos seus ouvidos o reconforta
Psicodelia nos ouvidos

Johnny Manso